Codó: beleza à beira do rio Itapecuru

Turismo 10/02/2018 08:52:00

Retornar a Codó, depois de alguns anos, trouxe lembranças de minha infância e adolescência: saia de Caxias para aquela cidade à beira do rio Itapecuru, o lugar mais longe que conhecia. Hoje com o projeto Andanças do Jornal Cazumbá, podemos registrar o melhor da cidade. Imortalizada na musica de João do Vale, que fala da viagem de Teresina a São Luís. Codó me lembra também muitas coisas boas, a começar pela viagem de acesso ao município nos meses de férias, as roças de arroz e milho na beira da estrada, os currais de gado, os riachos, em uma harmonia e cheiro que se confundem com os melhores anos de minha vida.

História

A população de Codó é constituída, de negros, devido à intensa miscigenação com a vinda dos escravos, e de nativos – índios Barbado e Guanarés. Eles foram caracterizados por um padre português, chamado João Vilar, que chegou de canoa ao lugarejo de São Miguel, presenciando uma luta entre os índios Urubus e Guanarés. Com sua morte, seu corpo foi jogado nas águas do rio itapecuru, sendo resgatado posteriormente. Passados tempos, o comendador José Nicolau Henrique, construiu um templo às margens do mesmo rio, lugar em que o padre foi morto, dando inicio ao povoamento da cidade que seria uma das mais promissoras do Maranhão.

Origem do nome da cidade

A procedência do nome do município de Codó tem sido uma controvérsia para alguns e motivo de debate para outros. Segundo alguns historiadores, Codó significa, Charco, Paul, brejo ou atoleiro, por existir lama, pântano na nascente do rio Codozinho. Já outra versão, mais difundida, diz que o nome Codó origina-se da ave codorzin, abundante naquela região.

Colonização

Os índios, primeiros habitantes da região, travaram duras lutas contra os colonos adventícios, que impuseram seu poderio, fazendo com que os silvícolas saíssem em busca de outras terras, segundo relatos, um dos primeiros exploradores do município foi Luis José Rodrigues, apelidado de pau real. Em 1870, iniciou a exploração das matas com a chegada dos negros africanos, trazidos de barco pelo rio.

Já em 1855, com a chegada dos portugueses, foi fundada a colônia de Petrópolis para a fixação dos mesmos. O seu líder, Francisco Marques Rodrigues, tinha um acordo, com o governo da época, de trazer 200 negros, mas só conseguindo trazer 67. Com isso o trato foi desfeito, desfazendo-se também a colônia portuguesa. No ano de 1887, chegaram os sírios e libaneses, que eram uma nova dinâmica à região, intensificando o comercio variado, ficando os portugueses negros e com a lavoura.

Data de fundação

A partir da resolução régia, de 18 de abril de 1833, o povoado de Codó passou à categoria de vila, posteriormente, elevada à cidade, pela lei estadual de n° 13, de 16 de abril de 1896, sancionada pelo então governador Alfredo da Cunha Martins. O município é banhado pelas águas mornas dos rio Itapecuru, existindo em seu território muitos outros riachos-afluentes. A cidade se divide em duas e seu divisor é o córrego (riacho), de águas frias: cidade baixa, onde fica os poderes, repartições publicas, casarios seculares e famílias tradicionais, e a cidade alta, constituída por bairros populosos, de grandes sítios e fazendas, que dão um charme interiorano ao codoense.

Localização

Localizado às margens do rio Itapecuru, situado na microrregião de leste maranhense, com uma área de 4.245.6 quilômetros quadrados e distante 290 km de São Luís. O acesso ao município é feito pela BR 135 até o município de Alto alegre do Maranhão, pegando a BR 135 ao povoado Dezessete, seguindo pela MA 026, com dês tino a sede de Codó, que se limita com os municípios e Coroatá, Timbiras, Afonso Cunha, Aldeias Altas, Caxias, Gonçalves Dias, Governador Archer e Santo Antonio dos Lopes. A população de Codó é estimada em 105 mil pessoas, constituída de 51% de mulheres.

Infra-Estrutura

Codó tem uma infra-estrutura singela para receber aos que ali chegam. Com hotéis, pousadas, rede bancaria, agencia dos correios, bares, lanchonetes, restaurantes – que servem o melhor da culinária local, à base de cuxá, peixe de água doce, galinha caipira, licores regionais, entre outras variedades para todos os gostos e paladares. O município tem linhas regulares de ônibus para os principais destinos do país.

Atividade econômica

A economia do município é baseada na lavoura de subsistência, na produção extrativista, pecuária, comercio variado, alem da indústria de cerâmica e cimento. O interessante é salientar que Codó já foi um grande produtor têxtil do Estado, com um pólo industrial que exportava para todo o Brasil ate exterior.

Clima

Muito quente, com estações definidas entre período de chuvas e estiagem, principalmente, nos meses de maio e agosto, em que a temperatura chega a 35°. Já nos meses de janeiro e abril período das chuvas, a temperatura chega a 25°. A altitude da cidade em relação ao nível do mar, é de 48 metros.

Atrativos naturais

A mata de cocais é um dos maiores atrativos da região, com palmeiras de babaçu, carnaúba, tucuns, entre outras. O rio itapecuru é o referencial como atrativo natural. Seus afluentes, como o rio Codozinho, Prata, Igarapé do Inferno, Riacho Seco, Lagoa do Verde Negro, Roncador, com suas quedas d’águas, de 3 metros de altura, são atrativos para a comunidade que toma banhos neles para se refrescar em dias quentes. Existem ainda os morros da Ema e do Angelim, dotados de uma altura elevada, que varia entre 20 e 40 metros.

Atrativos culturais

O ponto alto das festividades do município são as festas juninas, com destaque ao bumba-meu-boi, tambor de crioula, dança do codó, dança da mangaba e o terecô. O carnaval também atrai milhares de foliões para as brincadeiras de salão e para o carnaval de rua.

Artesanato

O artesanato de Codó é um capitulo à parte com trabalhos feitos da fibra de tucum, (palmeira nativa), palha de coco babaçu e cerâmica e gesso, dando um toque diferente dos demais produtos do gênero.

Religião/festejos religiosos

Uma cidade que mistura bastantes religiões. Bita do Barão, um pai de santo conhecido na região, é prova disso. São diversos os terreiros, igrejas e templos espalhados pela cidade, sob a guarda de duas padroeiras: santa Filomena e santa Rita, festejadas na mesma data, 10 de agosto. Ainda nesse dia, Bita homenageia a rainha Iemanjá e outros orixás.

O catolicismo também é bem difundido no local. Exemplo disto é a Igreja de São Sebastião, considerada um monumento histórico por ter sido benzida no mesmo dia em que a cidade foi elevada à categoria de vila. Há também outras igrejas que marcam a religiosidade dos codoenses, como a da Matriz, da nossa Senhora da Graça, a capela de Santa Filomena, entre outras. A crença de um modo geral é uma forte característica deste povo. Independentemente da corrente religiosa.

Pontos altos

Sua gente de feição simples traduz uma historia de lutas, desde a colonização. Seus atrativos naturais e culturais tem mostrado ao maranhão vultos ilustres como: Antonio de Almeida Oliveira, José Magalhães de Almeida, Hemeterio José dos Santos, Sebastião Archer, Renato Archer, entre tantos outros que fizeram de Codó um município de destaque no Brasil. Vale desmistificar, que a cidade de Codó, atualmente, não faz jus á fama de cidade Urbana, pois muitas outras fortes crenças já são partes de crença desse povo.

Pontos baixos

Com todos os atrativos já citados, observa-se uma cultura autentica, entretanto, Codó parou no tempo. De um município prospero no passado, o que se vê hoje é degradação ambiental, com derrubada da mata nativa e dos imensos palmeirais. Os afluentes do rio itapecuru estão perdendo volume de água, devido à tirada de suas matas ciliares, e com isso, ocorrem aterramentos. Outro que sofre toda sorte de impacto, outrora imponente, é o próprio rio itapecuru, onde todo dejeto é despejado inatura no seu leito, sem que nenhuma autoridade se manifeste.

A cidade de precisa melhorar a infra-estrutura, especificamente, a iluminação publica, limpeza de ruas e praças, que tem deixado muito a desejar. Alem disso, de não há controle acerca da poluição visual, provocada por alguns letreiros e pichações. A poluição sonora de carros e som é outro um desrespeito, ultrapassando as normas dos limites de decibéis permitidos por quem desenvolve atividades de divulgação. 

Disponível em Jornal Cazumbá, edição 19.

 

 

 

 

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